Sobre o Morrinho

Como tudo começou

  • Morrinho em meados do século passado
  • Igreja de Morrinho nos dias atuais
Willis Roberto Banks nasceu em Guaraqueçaba, Paraná, em 15 de novembro de 1864. Seus pais eram norte-americanos. O menino foi criado e educado em Curitiba e mais tarde conheceu na localidade de Tibagi a jovem Vicência da Cruz Machado, natural de Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, com quem se casou.

Tiveram uma única filha, Izaltina. Após residirem por algum tempo na fazenda do pai de Vicência, em Tibagi, foram para o sertão do norte do Paraná, onde viveram por seis ou sete anos.

Quando ali estavam, receberam a visita de dois engenheiros norte-americanos que vinham medir terras em missão do governo. Um deles era Guilherme Lane, filho do Dr. Horace M. Lane, diretor do Mackenzie College, em São Paulo.

Regressando a Tibagi, Willis começou a ler um Novo Testamento que lhe haviam dado em Curitiba. Sentiu-se tocado pela conversão e pelas viagens de Paulo.

Inteligente e empreendedor, inventou máquinas para fabricação de polvilho, tornou-se agrimensor e adquiriu conhecimentos de medicina prática através da leitura de uma conhecida obra de Chernoviz. Sempre inquieto, tornou-se co-proprietário de uma padaria na cidade de Castro. Atendendo a apelos insistentes da esposa do seu sócio, D. Fortunata Zimermann, entrou pela primeira vez em um templo evangélico, na Igreja Presbiteriana. Gostou do que ouviu e tornou-se freqüentador assíduo. Três meses depois, foi recebido por profissão de fé pelo Rev. Thomas Jackson Porter. Sua decisão foi muito mal recebida pela esposa, que havia ficado em Tibagi, e pelos pais da mesma.

Porém, Fortunata e Vicência haviam sido amigas de infância e esta acabou também aceitando o evangelho, sendo recebida por profissão de fé pelo Rev. George L. Bickerstaph.

Foi então que Willis recebeu uma carta do Dr. Horace Lane convidando-o para administrar a sua fazenda Poço Grande, em Juquiá, no litoral sul de São Paulo. Essa fazenda havia pertencido a uns norte-americanos que vieram para o Brasil após a Guerra Civil em seu país (1862-65).

Depois de uma recusa inicial, com insistência do Dr. Lane, Willis acabou aceitando o convite. Foi visitar o local e teve má impressão, mas não quis voltar atrás em sua palavra. Diante da resistência da família, conversou com o Rev. Bickerstaph, que disse pressentir que Deus o chamava para uma obra especial naquele lugar.

A família então empreendeu a penosa viagem de carroça, trem, navio, vapor e canoa até a fazenda Poço Grande, ali chegando no dia 16 de janeiro de 1897.

Willis começou a realizar cultos domésticos, inicialmente sem intenção evangelística, mas a assistência foi se tornando cada vez mais numerosa.

Através do Dr. Lane, convidou o Rev. Modesto P. B. Carvalhosa para visitá-los. O Rev. Carvalhosa, pastor da 2ª Igreja Presbiteriana de São Paulo, permaneceu por mais de uma semana em Poço Grande, em meados de 1898, tendo recebido trinta e seis pessoas por profissão de fé, inclusive Izaltina Banks, e batizado vinte e seis menores. Surgiu assim a primeira Igreja Presbiteriana e, na época, a única igreja evangélica do extenso litoral sul-paulista, da qual Willis se tornaria presbítero.

A Igreja de Juquiá foi formalmente organizada pelo Rev. Carvalhosa em 10 de outubro de 1900. Nessa ocasião, Willis Banks foi eleito presbítero.

Sob a liderança de Willis, foi construído um templo no topo de uma colina às margens do rio Juquiá, a dois quilômetros de Poço Grande, no lugar conhecido como Morrinho.

Algum tempo depois, o casal Banks iniciou uma escola em sua casa, onde também residiam os alunos, crianças pobres que vinham de longe.

Com seus modestos conhecimentos de medicina, prestavam assistência ao povo da região, inclusive realizando pequenas cirurgias.

Depois de seis anos como administrador da fazenda e evangelista da região, Willis resolveu voltar para o Paraná. Fez a difícil viagem a São Paulo para comunicar a decisão. Nessa viagem, que Willis fez diversas vezes para ir a reuniões do presbitério ou do sínodo, ele tinha de caminhar até Osasco (quase 200 km) e então tomar o trem, já próximo de São Paulo. O Dr. Lane e o Rev. Carvalhosa insistiram para que não abandonasse Juquiá. O casamento da filha com um rapaz dessa cidade fez com que o casal desistisse de retornar ao Paraná, passando a residir naquele local.

Iniciou-se uma igreja em Juquiá, da qual um dos primeiros membros foi o Sr. João Adôrno Vassão, pai do futuro Rev. Amantino A. Vassão.

Willis Banks prosseguiu com seu ministério evangelístico e terapêutico. Inventou as chamadas “pílulas Banks” para tratar as muitas pessoas atacadas pela verminose. Ao mesmo tempo, visitava assiduamente as congregações nascentes e evangelizava os lares.

Mais tarde, o casal Banks residiu por cinco anos em Ponta Grossa. Nesse período, o campo evangelístico de Juquiá foi visitado pelos Revs. Erasmo Braga, Coriolano de Assunção, Júlio Sanguinetti, Robert Daffin, João Paulo de Camargo e James Porter Smith.

Em 1918, o casal Banks e os netos mais velhos foram residir no bairro da Lapa, em São Paulo. Mediante autorização do Rev. Matatias Gomes dos Santos, pastor da Igreja Unida, Willis iniciou uma escola dominical. Seu trabalho evangelístico resultou no primeiro grupo de convertidos, que fizeram sua pública profissão de fé na Igreja Unida e formaram o núcleo inicial da Igreja Presbiteriana da Lapa.

Três anos mais tarde, o casal Banks voltou para Juquiá. Como havia feito em Morrinho, Willis montou uma olaria e construiu um belo templo.

Com um barco de alumínio doado por uma igreja americana, continuou a viajar e a pregar por toda a extensa região. Iniciou um ponto de pregação em Iguape, onde, entre os primeiros convertidos, estavam o Sr. Evaristo Ribeiro e esposa, pais do futuro Rev. Zaqueu Ribeiro. De Morrinho, Juquiá e Iguape, o evangelho irradiou-se por todo o vale do Ribeira.

Após cinco ou seis anos em Iguape, o velho casal retornou para Juquiá, onde D. Vicência faleceu em 20 de setembro de 1940, sendo oficiante em seu enterro o Rev. Amantino Vassão. Adoentado, Willis seguiu para São Paulo, onde os médicos, dentre eles o Dr. Job Lane, do Hospital Samaritano, diagnosticaram câncer no estômago.

Diante do seu desejo de ser sepultado em Juquiá, foi levado de automóvel para aquela cidade. No dia seguinte, 22 de março de 1942, um domingo, o dedicado evangelista faleceu aos 77 anos de idade.

Um neto do pioneiro seguiu a carreira ministerial – Rev. Willes Banks Leite, falecido em 1996.

Ao longo dos anos, a Igreja do Morrinho vem sendo um apreciado local para encontros e retiros dos presbiterianos da região.


Adaptado
Rev. Alderi Souza de Matos